quarta-feira, 25 de abril de 2012

Resenha: "Ynari – A menina das cinco tranças", de Ndalu de Almeida Ondjaki


Elis Parizotto Seidler*

“Espremer um sonho”, esse é o segredo em formato de prefácio sussurrado pelo escritor angolano Ondjaki, que usa seu talento de poeta e a oralidade do português de Angola, ao anunciar a obra Ynari – a menina das cinco tranças, cujo título e subtítulo remetem imediatamente a uma simbologia envolta pelo nome da protagonista em kimbundu, o número cinco e a palavra trança. Para enveredarmo-nos por uma das possibilidades de leitura dessa obra: a literatura e a guerra – simbolizadas por uma menina, um homem pequeno e os mais-velhos, é importante frisar que a data de edição de Ynari, na Angola, é bastante significativa: 2002, ano em que a paz é retomada nesse país, após quase trinta anos de guerra civil.  
Ynari, obra escolhida para o Projeto Livro do Mês – 2012, é um livro destinado a um público aparentemente específico, o das crianças, para todas elas, como diz o autor na dedicatória, mas principalmente para Angola, como se informasse a um leitor mais desatento, não apenas da categoria infantil, mas também às crianças adultas que emprestam muitos de seus sonhos para o autor. Sabemos que os sonhos em miniaturas também compõem as vidas adultas.
 Ynari tem muito a aprender, mas com a ajuda de suas cinco tranças, a menina vai dar aos povos as palavras que enfim lhes faltavam, mostrando que as crianças, com muita magia e ternura, podem mudar as aldeias e as ideias e acabar com todas as guerras, com uma simples palavra: a amizade.


*Monitora do Mundo da Leitura e acadêmica do curso de Letras na Universidade de Passo Fundo.

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